"O teatro que não está em nada, mas que se serve de todas as linguagens - gestos,
sons, palavras, fogo, gritos - encontra-se exatamente no ponto em que o espírito precisa
de uma linguagem para produzir suas manifestações.
E a fixação do teatro numa linguagem - palavras escritas, música, luzes, sons -
indica sua perdição a curto prazo, sendo que a escolha de uma determinada linguagem
demonstra o gosto que se tem pelas facilidades dessa linguagem; e o ressecamento da
linguagem acompanha sua limitação.
Para o teatro assim como para a cultura, a questão continua sendo nomear e
dirigir sombras; e o teatro, que não se fixa na linguagem e nas formas, com isso destrói
as falsas sombras, mas prepara o caminho para um outro nascimento de sombras a cuja
volta agrega-se o verdadeiro espetáculo da vida.
Romper a linguagem para tocar na vida é fazer ou refazer o teatro; e o
importante é não acreditar que esse ato deva permanecer sagrado, isto é, reservado. O
importante é crer que não é qualquer pessoa que pode fazê-lo, e que para isso é preciso
uma preparação.
Isto leva a rejeitar as limitações habituais do homem e os poderes do homem e a
tornar infinitas as fronteiras do que chamamos realidade."
Antonin Artaud
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Pois é...o real não é nada!Pra que viver no real se temos a possibilidade de ir além??
ResponderExcluirDiego