A última aula começou com a formação de uma roda para conversar e discutir os assuntos do dia.
Falamos sobre essa atividade de relatar no blog o que fazemos nas aulas, o chamado:
Protocolo da aula. E foram definidos os responsáveis pelo protocolos das próximas semanas.
Dia de decidir qual peça vamos montar. A entrega do projeto da turma deveria ser feito hoje, dia 09 de Setembro, por isso mesmo sendo colocado ao grupos opções de outros textos
(O balcão/Como o vento) devido à urgência da decisão, a escolha ficou entre os textos Psicose e Anjo Negro, textos que tinham sidos trabalhados pela turma para as atividades na aula.
Uma discussão que surgiu, se a escola permite, dependendo da montagem, o uso de cenas de nú nas montagens. A escola acha melhor não permitir, porque pode causar um mal-estar em relação à platéia que normalmente assiste as peças das mostras na escola, diversidade dos alunos em relação à idade e etc... A platéia mais comum são os pais, amigos, parentes e etc.
Começando os trabalhos do dia, a turma foi dividida em dois grupos. A proposta foi montar cenas das peças Psicose e Anjo Negro, com a condição de usar a seguinte sintaxe na elaboração das cenas:
1. Montar uma imagem inicial (estática) + Usar os textos distribuídos
(Voz ou Dramaturgia Sonora);
2. Formar uma nova imagem estática + texto + contato com o público + nova imagem;
3. Dependendo da cena criada, seguindo o texto da peça usada no exercício, usar o conceito de "Desejo da Carne" - no caso do Psicose e "Sermos Imoral" no caso de Anjo Negro.
O exercício começou sendo feito pelos 2 grupos com cenas para a peça Psicose.
As cenas criadas deveriam ter de 5 a 8 minutos de duração.
Foi dado 30 minutos para criação das cenas, seguindo a sintaxe proposta.
Depois do trabalho de criação, as cenas foram apresentadas para a turma.
Logo em seguida, começou o mesmo trabalho, mas com cenas da peça Anjo Negro.
Criadas e apresentadas as cenas, a turma se reuniu novamente em círculo,
o prof.Felipe leu para turma um trecho de Hamlet, cena II:
"HAMLET — Tem a bondade de dizer aquele trecho do jeito que eu ensinei, com naturalidade.
Se encheres a boca, como costumam fazer muitos dos nossos atores, preferira ouvir os meus versos recitados pelo pregoeiro público.
Não te ponhas a serrar o ar com as mãos, desta maneira; sê temperado nos gestos, por que até mesmo na torrente e na tempestade, direi melhor, no turbilhão das paixões, é de mister moderação para torná-las maleáveis.
Oh! Dói-me até ao fundo da alma ver um latagão de cabeleira reduzir a frangalhos uma paixão,
a verdadeiros trapos, trovejar no ouvido dos assistentes, que, na maioria, só apreciam barulho e pantomima sem significado.
Dá gana de açoitar o indivíduo que se põe a exagerar no papel de Termagante e que pretende ser mais Herodes do que ele próprio. Por favor, evita isso.
PRIMEIRO ATOR — Vossa Alteza pode ficar tranqüilo.
HAMLET — Também não é preciso ser mole demais; que a discrição te sirva de guia; acomoda o gesto à palavra e a palavra ao gesto, tendo sempre em mira não ultrapassar a modéstia da natureza, porque o exagero é contrário aos propósitos da representação, cuja finalidade sempre foi, e continuará sendo, como que apresentar o espelho à natureza, mostrar à virtude suas próprias feições, à ignomínia sua imagem e ao corpo e idade do tempo a impressão de sua forma.
O exagero ou o descuido, no ato de representar, podem provocar riso aos ignorantes, mas causam enfado às pessoas judiciosas, cuja censura deve pesar mais em tua apreciação do que os aplausos de quantos enchem o teatro.
Oh! já vi serem calorosamente elogiados atores que, para falar com certa irreverência, nem na voz, nem no porte mostravam nada de cristãos, ou de pagãos, ou de homens sequer, e que de tal forma rugiam
e se pavoneavam, que eu ficava a imaginar terem sido eles criados por algum aprendiz da natureza,
e pessimamente criados, tão abominável era a maneira por que imitavam a humanidade.
PRIMEIRO ATOR — Quero crer que entre nós tudo isso está bem modificado.
HAMLET — Faze uma reforma radical! Que os truões não digam mais do que o que lhes compete,
pois há deles que vão a ponto de rir, somente para provocarem riso aos parvos, até mesmo em passagens com algo merecedor de atenção. É vergonhoso, sobre revelar ambição estúpida por parte de quem se vale de semelhante recurso. Vai aprontar-te. (Entram Polônio, Rosencrantz e Guildenstern)
Então, senhor, o rei irá ouvir a nossa peça?........"
Questões apresentadas para a turma:
Como o artista interfere na obra que monta?
Qual seu hiper-objetivo?
Devemos nos preocupar mais com a forma ou com o conteúdo do que estamos criando/montando?
Depois de tudo isso, abriu-se votação para saber que peça seria montada afinal. Pelo número de alunos presentes, a votação ficou empatada.
A decisão ficou com o prof. Felipe que disse teria o maior prazer de montar qualquer uma das peças com a turma, mas baseado em tudo que foi produzido em aula,
a peça escolhida foi Anjo Negro.
Que começem os trabalhos.....Anjo Negro nos espera.
Bio






Bio, o seu protocolo deu conta de relatar muito o vivido no último encontro. Além do mais, recheou de informações adicionais - o que deixou o protocolo bem claro.
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